sábado, 17 de maio de 2014

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA



PLANETA ÁGUA (GUILHERME ARANTES)

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos lagos

Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra

Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra

Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água



A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA

A água encontra-se presente em aproximadamente 75% da superfície terrestre. Do total deste percentual, 97% corresponde às coleções de água salgada, restando apenas 3% de água doce existente. Da quantidade de água doce disponível, 99% encontra-se no subsolo ou fazendo parte de geleiras, estando o restante na forma de lagos, umidade do solo, atmosfera, reservatórios e cursos d’água (LIBÂNIO, 2005).
O Brasil possui ampla reserva hídrica, respondendo por cerca de 16 % da recarga hídrica anual sobre os continentes, satisfazendo as necessidades de utilização da água nos setores da agricultura, doméstico e industrial, sendo a agricultura o setor de maior consumo (71%). Porém, a distribuição da água em relação à população das regiões existentes não é uniforme, havendo maior gravidade nas regiões sul e sudeste onde ocorrem fortes impactos devido ao lançamento de dejetos domésticos e industriais (LIBÂNIO, 2005; LIBÂNIO, CHERNICHARO e NASCIMENTO, 2005; FAO, 2011a).
A “Lei da Água”, fundada em 1934, é a base fundamental para a legislação brasileira sobre as águas. Ela assegura o uso gratuito de recurso hídrico para as necessidades vitais, atentando-se para as normas adiministrativas. Porém, há necessidade de uma atualização para ser adaptada à Constituição Federal de 1988. Esta última define as águas controladas pelo Estado, dificultando a gestão eficaz de alguns rios importantes do país. A Lei Federal de 1997 estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos e afirma que a água é um bem público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico. Em situações de escassez o uso prioritário da água é para o consumo humano e animal. A gestão dos recursos
hídricos deve sempre garantir o uso múltiplo das águas e ser descentralizada e participativa. Os Estados devem aprovar e estabelecer legislação complementar para garantir que a gestão dos recursos hídricos seja adequada para as características locais e fazer cumprir as diretrizes nacionais (FAO, 2011a).
A fonte primária de água é a atmosfera, com suas precipitações. Quando atinge o solo a água é uma verdadeira solução, de composição variável de acordo com as substâncias com as quais entrou em contato e a maneira como esta ocorreu. Estas fontes de água são conhecidas como: meteorítica, superficial, subterrânea e de nascentes. A água meteorítica provém da chuva, neve, granizo ou do degelo. Esta apresenta os mais baixos teores salinos por conterem, dissolvidas ou em suspensão, apenas substâncias recolhidas durante sua passagem através da atmosfera e praticamente nenhuma microbiota. A água meteorítica atinge o solo sob as formas líquida ou sólida e em mínima parte diretamente por condensação. Uma parte retorna para a atmosfera através da evaporação; outra parte escoa constituindo a água superficial. A água superficial é aquela que escoa nos leitos das coleções, incluindo toda a água continental, em movimento ou parada, presente na superfície da terra (mares, lagos, lagoas, geleiras e bacias). O percentual restante é absorvido pelo solo, sendo recolhido em bolsas subterrâneas particulares e formando os lençóis que se distinguem em freático e artesiano, constituindo a água subterrânea. Esta água pode ser captada por poços rasos e profundos (BARUFFALDI e OLIVEIRA, 1998; BARCELLOS et al., 2006). A água subterrânea pode aflorar naturalmente produzindo um escoamento superficial, denominado nascente, mina ou fonte (MINÇON FILHO, 2007).
As doenças provocadas por microrganismos patogênicos, presentes na água e alimentos constituem um problema comum de saúde pública no Brasil (SOUSA, 2006). Assim, uma baixa qualidade da água representa grande ameaça para a saúde humana, e o abastecimento de fontes inseguras e um inadequado saneamento e higiene, afetam principalmente crianças de países em desenvolvimento (OMS, 2010a).
Devido às condições precárias de higiene, Gerolomo e Penna (1999) ao realizarem no período de abril de 1991 a abril de 1994, um estudo sobre a situação da cólera em nosso país, observaram que o agente causador da doença foi encontrado em todas as regiões, havendo principalmente picos nos anos de 1992, 1993 e 1994 na região nordeste, ocorrendo nos meses de outubro a janeiro. Foi possível então perceber uma sazonalidade da doença, porém, as regiões com melhores condições socioeconômicas da população foram menos acometidas.
No Haiti, após a devastação provocada por um terremoto no início do ano de 2010, a superpopulação, a ausência de saneamento e a falta de acesso à água potável foram fatores predisponentes para um surto de cólera que afetou a população. Até o dia primeiro de janeiro de 2011, 171.304 pessoas já haviam se contaminado, havendo um registro de 3.651 mortes. Deste total de casos, 95.039 pessoas foram hospitalizadas, e 10% dos casos ocorreram crianças menores de cinco anos, sendo importante uma intervenção nutricional somada às medidas básicas para o controle da enfermidade. Alguns problemas contribuintes para o agravo desta situação foram a falta de saneamento e água potável, pouca aceitação da comunidade aos centros de tratamento, inacessibilidade nas zonas rurais e manejo de cadáveres. Para controlar esta epidemia foi necessária uma intervenção massiva para melhorias na qualidade da água, saneamento e higiene, além de maior mobilização social. Realizou-se a distribuição de cloro granulado para tratamento da água, além de soros para a re-hidratação de pacientes com diarréia. Diversos órgãos internacionais em parceria com o governo local contribuíram para o combate à doença através de instalações de postos de re-hidratação oral, visitas em domicílio, atividades de desinfecção, funcionamento em horário integral de centros de saúde, fornecimento de água potável e distribuição de produtos de higiene pessoal. Nos estabelecimentos de saúde foi realizada a vigilância da qualidade das atividades médicas e da situação da água, saneamento e higiene (OMS, 2010b; OMS, 2011a).
Outro exemplo de risco da contaminação da água destinada ao consumo humano ocorreu em abril de 2011, na Central Nuclear I de Fukushima, localizada no Japão, onde houve um vazamento de radiação ionizante determinando um fator de risco a toda população residente das proximidades. O material radioativo pode ser carreado pelo ar, chuva ou neve, depositando-se na superfície de frutas, verduras e outros alimentos. Além disso, com o tempo a radioatividade pode passar do solo para os alimentos e animais se acumulando no interior destes. Esta radioatividade pode ainda ser carreada pelos rios, lagos e mares contaminando peixes e mariscos. Com isso, os alimentos de diversas origens podem afetar a saúde dos consumidores devido a essa exposição. Durante estes episódios foi confirmada a presença de radioatividade em algumas verduras e no leite. Alguns resultados iniciais do controle que foi realizado indicaram a presença de iodo radioativo em concentrações superiores às estabelecidas pelas autoridades japonesas, além da detecção de césio radioativo. Portanto, as autoridades japonesas estabeleceram um sistema de vigilância dos produtos alimentares com o intuito de restringir a venda e o consumo de alimentos contaminados. Em relação ao consumo direto de água, não há presença de um risco imediato, e os métodos comuns de tratamento da água podem eliminar quantidades consideráveis de contaminantes radioativos, e como outra opção, pode ser realizada a diluição da água contaminada em água comum. Porém, o iodo radioativo não é destruído através da fervura. A exposição a altas doses de radiação pode aumentar o risco de câncer, e o iodo radioativo pode ser inalado ou ingerido se acumulando na glândula tireóide aumentando o risco de câncer da mesma, sendo mais elevado em jovens (OMS, 2011b).
De acordo com a obra de Macêdo (2007), caso houvesse um adequado saneamento básico e conscientização da população em relação à preservação das águas superficiais e subterrâneas de forma a disponibilizar água com qualidade, seria possível diminuir muitas das doenças atribuídas à água e o alto índice de internações hospitalares.
Conclui-se, portanto, que é necessário um bom projeto de Educação Ambiental e Educação em Saúde com toda a população, para que as principais questões ambientais sejam abordadas com o intuito de preservação do meio ambiente, para que agravos não possam comprometer o nosso futuro.


Referências Bibliográficas:

BARCELLOS, C. M.; ROCHA, M.; RODRIGUES, L. S; COSTA, C. C.; OLIVEIRA, P. R.; SILVA, I. J.; JESUS, E. F. M.; ROLIM, R. G. Avaliação da qualidade da água e percepção higiênico-sanitária na área rural de Lavras, Minas Gerais, Brasil, 1999 – 2000. Cadernos de Saúde Pública: v. 22, n. 9, p. 1967 – 1978, Set., 2006.

BARUFFALDI, R.; OLIVEIRA, M. N. A Água na Indústria de Alimentos. In:______.
Fundamentos de Tecnologia de Alimentos. São Paulo: Atheneu Editora, 1998. 336 p., cap. 9, vol. 3, p. 201 – 216.

FAO: FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. FAO’s Information System on Water and Agriculture – Brazil. Disponível em: <http://www.fao.org/nr/water/aquastat/countries_regions/brazil/index.stm>. Acesso em: 06 de Maio de 2011a.

GEROLOMO, M.; PENNA, M. L. F. Os primeiros cinco anos da sétima pandemia de cólera no Brasil. Informe Epidemiológico do SUS: v. 8, n. 3, p. 49 – 58, Jul./Set., 1999.

LIBÂNIO, M. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. São Paulo: Átomo, 2005. 444 p.

LIBÂNIO, P. A. C.; CHERNICHARO, C. A. L.; NASCIMENTO, N. O. A dimensão da qualidade de água: avaliação da relação entre indicadores sociais, de
disponibilidade hídrica, de saneamento e de saúde pública. Revista de Engenharia Sanitária Ambiental: v. 10, n. 3, p. 219 – 228, Jul./Set., 2005.

MACÊDO, J. A. B. Águas & águas. 3 ed. São Paulo: Livraria Varela, 2007. 1027 p.

MINÇON FILHO, R. Desinfecção de Água. In: ______. Ações básicas para proteção, limpeza e desinfecção de reservatórios de água potável. São Paulo: CETESB - COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2007. 142 p., 2 v. v. 1, p. 47 - 112.

OMS: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. La carga de enfermedad y los
estimados de costo-eficacia. 2003. Disponível em: <http://www.who.int/water_
sanitation_health/diseases/burden/es/print.html >. Acesso em: 25 de Novembro de 2010a.

OMS: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Cólera en Haití - Actualización N° 3. Disponível em: <http://www.who.int/csr/don/2010_11_17/es/index.html>. Acesso em: 22 de Novembro de 2010b.

OMS: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Boletín Del grupo de acción sanitária – Brote de cólera em Haiti – Lunes, 10 de enero de 2011 – Boletín  N°13. Disponível em: <http://www.who.int/csr/don/2011_01_10/es/index.html>. Acesso em: 13 de Janeiro de 2011a.

OMS: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Inquietud acerca de la crisis nuclear en el Japón - Preguntas frecuentes. Disponível em: http://www.who.int/hac/crises/jpn/faqs/es/index.html. Acesso em: 21 de Maio de 2011b.


SOUSA, C. P. Segurança alimentar e doenças veiculadas por alimentos: utilização do grupo coliforme como um dos indicadores de qualidade de alimentos. Revista APS: v. 9, n. 1, p. 83 – 88, Jan./Jun., 2006.


3 comentários:

  1. É inadmissível que, em pleno século XXI, ainda existam lugares onde não existe saneamento básico, não só no Brasil, como em diversos outros países. A falta de um sistema de coleta de detritos não só é responsável por diversas enfermidades, como também podem provocar a contaminação do lençol freático, colocando ainda mais em risco tais comunidades. É de extrema importância que os governantes, ao invés de investirem em estádios, se voltem para os reais problemas que a assolam a população. Além disso, nem é só o caso de proteger a população de hoje, mas também a população de amanhã. É de conhecimento público e notório que as reservas de água potável estão se esgotando. Se podemos fazer hoje investimentos que irão garantir a sobrevivência de nossos filhos, nossos netos, não há motivo que justifique esta inércia de nossos governantes.

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    1. Olá Aline!
      Você tem razão, mas precisamos também refletir sobre nossas condutas em relação a água e todos os recursos naturais. Se utilizássemos a água e outros recursos com moderação, não poluiríamos tanto, e inclusive o investimento com tratamento de esgoto e etc. poderia ser menor. Penso que devemos sempre prevenir antes de remediar.

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  2. Com certeza como a Herineide mencionou, é sempre importante que tenhamos em mente a importância da prevenção, acima do tratamento. Espero que esta mentalidade da população em relação à sustentabilidade cresça cada vez mais!

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